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sonhos


Muitas vezes o que chamamos de sonho mais não é que o querer viver ainda que no faz de conta o que não vivemos.
Sonhar como amor que não temos, a vida que não vivemos, mas…sonhamos. Imaginamos tudo que gostaria de viver umas boas…. nem tanto, nesse bocadinho, no nosso mundo podemos ser o que sonhamos sem interferir com nada nem ninguém.
Nem todos entenderiam o que digo. Teriam de passar pelo mesmo que eu passei, isso é impossível pois não dei meus sapatos a ninguém para palmilhar o mesmo que eu.
Sempre sonhei com o amor. Sempre quis ser amada pelo que sou pelo que sinto, não aconteceu azar o meu. Teria de ser esse o meu caminho? Não sei, só sei que foi.
Nunca pensei nem sonhei com grandes luxos, grandes carros, não.
Sonhei sempre com uma casa acolhedora, simples mas confortável onde com alguém que eu amasse e me amasse também viveria com nossos filhos. Hoje com o passar dos tempos, olho para trás, vejo eu?
Uma vida sem sentido junto de um homem que de verdade nunca me amou, eu foi apenas o trofeu uma miúda com alguns anos mais nova que o amou, que lhe dedicou uma vida, 20 anos, lhe deu 3 filhos que eram o seu orgulho de pai mas não só, da sua masculinidade.
Que tinha montes de mulheres, vivia comigo e com todas de uma maneira ou de outra, dormia em casa nada mais que isso. Mesmo assim a parva aqui estava lá, para ajudar, ser o ombro nas horas de dor, não nas horas de prazer. Essas eram vividas com as outras. Daria pano para mangas expor aqui tudo porque, passei mas não quero. Apenas falei nisso para me fazer entender porque acho que nunca foi amada de verdade. Nunca vivi o que sonhei um grande amor.
De tudo que vivi, só uma coisa faz valer a pena. Meus filhos. Que são o meu orgulho.
Trabalhei em tudo que pude. Mas criei os meus filhos. Como marido era uma nodoa, como marido, um exemplo como pai.
Hoje sinto que falhei em tudo como mulher, como mãe não. Mas a mulher que há em mim sente-se muito carente de tudo.
Saudade de tudo que sonhou, e nunca teve é controverso mas é real. Fica este buraco, esta solidão. Convive comigo a tantos anos que chego a pensar que não saberia hoje ter uma relação.
Fico-me por aqui por estes desabafos. Com estes deitar para fora, esvaziar o sofrimento que se esconde muitas vezes debaixo de um sorriso, deste medo de nunca conseguir ser eu.
 Traumas embora eu não diga. Brinque de gato e rato comigo mesmo. Uma coisa teme sim. Não saber amar. Não saber dar e umas coisas me parecem de mais outras, insuficientes…
Agora neste Outona da vida em que a solidão machuca no fundo de mim. Agora que sonho dividir a minha vida com alguém, nunca serei capaz de o fazer o medo é cada dia mais intenso, medo de voltar ao mesmo suplício dourado em que todas pensavam que era uma pessoa feliz quando a D. Felicidade passava tão distante, paradoxo, assim eu sinto falta até desses dias não tinha o que tanto queria mas tinha alguma coisa, não tinha mimo mas tinha aquém dar, era um prazer ver os olhos dele a sorrir quando ao acordar, um mimo, lhe levava uma flor, eu nunca tive, mas…Para mim era normal, não falava com ninguém não sabia o que os outros viviam pensava:- são todos os homens assim.
Só vim que não quando entrei um dia no posto médico e vi o meu marido dar a uma colega o mesmo gesto que havia recebido, colheu uma flor quando entrei e vi eles a beijarem-se ela com a flor na mão.
Deu a desculpa que era o filho fazia anos. Ela era viúva. Muito mais tarde vi o que era. Depois percebi o quanto foi pateta. O tempo passou. A vida mudou, eu mudei, mas de casa de lugar.
Fiquei viúva e em pleno funeral ela vem ter comigo e diz-me que ele morreu ao lado dela como queria que acontecesse morreu feliz.
Mais um trauma a juntar aos muitos que já tinha tido.
Hoje paro para perguntar a vida, ao cosmo.
Foi para isto que vim a terra? Foi para viver isto que nasci? Nunca vou viver a vida a dois que sempre sonhei. Sonho tão pouco afinal… amor, um lar, onde haja compreensão carinho, cumplicidade onde dois seja só um. Onde o olhar para a estrada da vida vá na mesma direção. Onde seja a dois…Será possível?
Estes são os meus sonhos…quem sabe um dia seja realidade, veremos….

escrito em novembro 2011

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