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Recordações

Visitando o Rubracacia, me lembrou ainda mais de Angola.
Essa Angola, onde vivi os anos dourados da minha vida, ai cresci, me fiz tornei mulher e Mãe.
Ai deixei minha filha em alguns palmos de terra. Saudade que nunca passa. Dor que jamais será mitigada pelo passar dos anos . Mas a vida é mesmo assim. Não gosto de falar na Monia Soraya, gosto de a recordar calada, numa saudade só minha.
Mas me lembro de coisas muito engraçadas, coincidências ou talvez não.
Na Lunda , no Dundo, trabalhei como orientadora chamemos-lhe assim das cozinhas de 3 hospitais, Andrada, Sacavula, e Dundo, tinha por meu cargo, as ementas, control de gastos e encomendas.
Andava comigo um motorista negro, pois não era pera doce percorrer estas distancias, pequenas é certo, mas era na época dos confrontos, e nunca se sabia o que podia acontecer. Quem lá estava sabe do que falo.
Pois bem esse motorista tinha uma filha linda, de mais ou menos  3 anos, que  o pai queria dar-ma para trazer
pois assim ela viria para Portugal, e estaria a salvo .
Logico que não aceitei, pois tive muito medo de que algo acontecesse e não queria privar aquela família de ter a sua menina linda a Antonia, da sua companhia, eu sabia a dor que era perder uma filha pode parecer igoismo, mas não foi, foi medo do que poderia acontecer.
Assim sou eu que sinto a falta daquela linda criança, que eu tanto gostava, e nada sei  do que se tenha transformada.

Comentários

A sua atitude foi correta. A gente só separa as famílias , se não tiver outra alternativa. Filhos deveriam ficar sempre juntos dos pais.
Bjux
Chica disse…
Lindas lembranças e a saudade de Antonia é normal, mas fizeste o que julgaste melhor!beijos,tudo de bom,chica
Minha querida amiga. Este teu artigo entristeceu-me sobremaneira, pois recordas-te um teu drama passado.
Se (há sempre muitos «ses» nas nossas vidas) tivesses trazido a menina talvez ela estivesse melhor da vida e tu com a alma mais preenchida, mas quando um «se» se interpõe no nosso raciocino todas as hipóteses ficam em aberto. Gostei do artigo.

Obrigado pela visita e pelos comentários. Como sabes, escrevo baseados nas memórias que tenho de tempos distantes. Tenho certamente no limbo da minhas recordações, outros acontecimentos susceptíveis de darem interessantes histórias, mas nem sempre me ocorrem. Às vezes basta um leve sopro, para varrer o pó que as cobre. Quando isso acontece, lá saí mais um conto, aconteceu agora com um comentário do meu amigo virtual Zé do cão, sobre o meu artigo «A casa dos três dedos».
Não sei se vais gostar desta que vou editar. É admissível que nem tudo o que escrevo te agrade, mas não deixes por isso de comentar. Porque deverão os comentários serem sempre elogiosos?
Creio que não leste todos os meus artigos, porque neles não estão comentários teus. Eu tinha alguns já publicados guardados como rescunhos, mas coloquei-os recentemente acessíveis pensando em ti.

Um beijinho muito grande
Diamantino
Mari Marques disse…
Aqui no Brasil temos poucas notícias sobre Angola.
Tudo muito superficial: o niamdo mercado Roque Santeiro, o Kuduro, o fim da Guerra Civil, gente alto astral.
Tenho muita curiosidade de estar na África, sou profª de História, e muito me admira a cultura africana.
:D
seus comentarios sao sempre ternos, obriagda!
Fa menor disse…
Senti um friozinho na barriga...
Quando existem recordações de um passado assim, a alma não pode deixar de doer.
Mas a vida segue sempre... implacável, ou nem tanto.

Que se encontrem nas recordações as melhores réstias do que foi bom.

Beijinhos
José Gonçalves disse…
Olá Lu,

Algo me surpreendeu, e de que maneira, ao ouvir-te comentar Angola.

O drama que relatas, era o pão nosso de cada dia numa zona de guerra declarada, onde a Vida e a Morte caminharam de mãos dadas e nunca se saberia qual encontrariamos ao virar de uma esquina!

São simplesmente opções entre Viver e Morrer que alguém tem de tomar a sangue frio, opções que só quem as toma sabe a dor que lhe aperta no peito!

Ninguém te poderá criticar por teres tomado a atitude que tomaste, e mesmo que fosse contrária, não o poderiam criticar.

Aos que nos eram queridos, brancos, negros, mulatos, de todos perdemos o rasto.

Serão vivos?

Ali ficaram as nossas raízes, pedaços da nossa Vida!

Nunca saberemos o que lhes aconteceu, nem onde param, o que nos deixa mais tristes!

Mas a Vida seguiu em frente.

Hoje fazem parte de um passado distante que jamais será esquecido por quem ali deixou um pedaço de si.

Um abraço e até sempre,

José Gonçalves
(Guimarães)
Lurdes querida, tantas pessoas passam pela nossa vida...só nos rsta as recordações no final. Assim é o viver e a saudade faz parte desse viver. Bjs amiga
AVOGI disse…
olá Lurdes, vim retribuir a visita ao meu blogue. desculpa lá , mas aqui há belas fotografias. assim como eu gosto. e diz-me de tua justiça, onde é vimeiro? norte ou sul de repente perdi-me.
ah, duas coisinhas vou fazer-me sócia /(per)seguidora deste blogue que ainda nao fui ao outro. e por favor tira essa verificação de palavras para deficientes em cadeira de rodas. kis :):):)
acácia rubra disse…
Se quando abrimos uma porta nos pode entrar, pela casa dentro, um vento frio e agreste, ao abrirmos a nossa memória ao passado, seja ele preenchido de coisas boas ou más, estamos a viver.

E é bom viver.

Compreendo-a quanto à Antónia pois eu vivi um caso semelhante com um garotinho de quatro anos, o Tovo.

Quisemos trazê-lo porque ele vivia mais em nossa casa que na dele. Contactámos os movimentos de libertação e gerou-se o jogo do empurra.

Foi muito triste deixá-lo para trás e ainda hoje me interrogo, também, sobre o que lhe terá acontecido.

Coisas da vida, das nossas vidas!

Beijo
AFRICA EM POESIA disse…
Passei por aqui
senti o teu lamento
a tua dor
a tua saudade
e carinhosamente deixo-te um beijo
Africa é assim...
feiticeira ...
amiga ...
dorida...
e amada.

Passa no meu blog africa em poesia-
Vamos esperar também que o Sporting nos dê alegria e


um beijo
AVOGI disse…
Sou a sócia (per)seguidora número 85. kis :):):)
e ainda nao tiraste esta coisa daqui de baixo que chateia como o caraças quando a gente quer dizer uma coisinha em cada post(a)
Espaço do João disse…
A menina resolveu passear no meu espaço, foi? Gostou? Fiquei muito grato e, espero que volte sempre que lhe apetecer.
Espaço do João disse…
Querida Lurdes.
Posso saberem que ano foi para a Lunda? É que eu fui para lá em 1968, e, meus dois filhos nasceram em Vila Paiva de Andrada. Registados no Canbulo. Conheceste o Dr. Pinto de Sousa? Meufilho actualmente está em Angola, Na RTA, vai e vem. Está la umas 3 semanas e, outras cá. Anda no laréu. É formado e mestrado em Ciências da comunicação social bem como em Jornalismo. No entanto a empreza mãe é em Portugal e, só tem um mês de férias. Quanto a mim, estive lá cerca de sete anos. Percorri toda a Lunda Norte desde Portugália até ao Cafunfo. Conheci todos os grupos de mins da Diamang. Regressei definitivamente de Angola em Novembro de 1974. Ainda há um grupo que se reune e comemora um almoço todos os anos. Outras terras outras gentes.
Cida disse…
Pois é amiga, dizem que "recordar é viver duas vezes". Em assim sendo, às vezes é bom recordar, e em outras nem tanto!...:(
Mas faz parte da vida, não é?
A gente tem que fazer o que nos dita o coração, e seguir em frente.
O remorço envenena a vida, e portanto devemos tentar nos livrar dele. Temos que pensar que as coisas aconteceram da forma que tinha que acontecer, e ponto.

Gosto do seu espaço. Você escreve com a alma.

Deixo aqui o meu carinho.

Cid@
Cida disse…
Onde escrevi "remorço", queria escrever "remorso".
É isso que da escrever embalado.
Esquece-se até da gramática!...:))

Jinhos

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